Dez anos após o final da segunda guerra mundial, a Europa como um todo e, a Itália
em particular, mostravam sinais de forte recuperação económica. Para a indústria automobilistica, a enorme
demanda de veículos era a indicação de um bom momento para introduzir novos modelos e, investir em segmentos
superiores com mais espaço e potência que nos pequenos
carros produzidos ate então.
Desde que acabara o conflito, diversos fabricantes aproveitaram para lançar produtos que, apesar da nova experiência,
usavam antigos conceitos mecânicos. Foi o caso do Renault 4, o Citroen 2 cv, projectados antes da guerra ou durante
aqueles anos.
No caso da Fiat tudo foi diferente, a Fiat iria apresentar um novo modelo, no salão de Genebra a 9 de Março de 1955.
O novo projecto, do engenheiro Dante Giacosa, roubou a cena tanto pelo lançamento em si quanto pelas estratégias
de divulgação encontradas pela marca.
No stand, via-se uma unidade dividida ao meio com um corte longitudinal, em que as metades giravam
para ser possível mostrar todas as capacidades técnicas do carro, e, ao mesmo tempo pelas ruas circulavam 30 fiat 600 continuamente na cidade
suiça .
O desenho do "carrito" de 3.20 metros de comprimento e 1.38 de largura era simples e agrádavel.
Predominavam as linhas curvas, com a traseira bem inclinada , algo semelhante ao VW carocha, mas a frente era mais alta e definida que no modelo alemão. Frisos no painel frontal tentavam disfarçar a ausência da grelha do radiador.
As portas eram articuladas, atrás tipo conhecido como "suicida",relatos da época diziam que por vezes as portas
se abriam em andamento, o que não devia ser assim muito agradável.
No interior, a simplicidade era nota dominante. Um pequeno módulo com instrumentos e luzes piloto eram
dos poucos instrumentos do painel em chapa de aço. O grande volante branco de dois braços e não havia
itens de luxo. Mas, pela primeira vez no seu segmento, o calor do radiador do motor era usado para desenbacear
o pára-brisas e aqueçer o interior do veículo nos rigorosos Invernos europeus.Em relação ao motor era um
pequeno mas audível quatro cilindros refrigerado a água que debitava inicialmente 21.5 cv com
uma caixa de quatro velocidade de primeira não sincronizada. Tinha uma velocidade máxima de 95 km/h com consumos
moderados.
Um ano depois do lançamento apareciam as primeira alterações ao modelo original. Um amplo tecto de lona,
vidros descendentes nas portas que deixaram de ser "suicidas", entre outras muito bem aceites pelo público.
Mas, o mais importante estava para vir...,
Nesse mesmo ano aparece o Fiat 600 Multipla, considerado o primeiro monovolume da história automóvel. Tinha
capacidade para 6 pessoas. Os seus bancos eram rebatíveis podendo ser usada para outros fins como campismo.
Contava com um motor ligeiramente mais potente que, apesar de não andar muito rápido, cumpria exemplarmente o que lhe era pedido.
E é assim que, 51 anos depois, se conta a história deste pequeno "carrito". Para alguns é chamado o "Clássico dos Pobres" mas,
para a muitos outros, este carro é uma verdadeira paixão. É bom entrar no carro e sentir aquele cheiro, o rodar a chave e sentir o
carro abanar com o palpitar do motor... É bom passar na rua e as pessoas olharem a rir e ouvir:"Olha um 600 tão giro!..."
Fiat 600 , o som de italia....